Jogo Extra – Manuel Acácio

Entrevistamos na passada segunda-feira (2015-01-12) o nosso associado Acácio Roque, que nos deixou o seguinte registo, e que aqui partilhamos convosco:

Bilhete de Identidade:
Nome: Manuel Acácio Martins Roque
Associado nº: 307
Data Filiação : 07-10-1996
Nacionalidade: Portuguesa

Fez, no passado mês de Outubro de 2014, 18 anos de filiação como associado do Clube, olhando para trás perguntamos: Tem valido a pena?
Sim, tem valido muito a pena. Tem valido a pena ser apaixonado por este grande Clube. Desde muito novo habituei-me a acompanhar o SCRT quer nos jogos na Ferraria, quer fora sempre que arranjava boleia. Mais tarde fiz um interregno na minha “militância” enquanto adepto. Por motivos profissionais estive ausente de Rio Tinto durante alguns anos. Quando regressei definitivamente a casa uma das primeiras coisas que fiz foi inscrever-me como sócio.

Já fez parte de várias Direções do Clube, conhece portanto, as dificuldades de quem tem a responsabilidade de gerir os destinos do nosso Clube. Tem gostado da forma como o Clube tem sido gerido nos últimos 3 anos?
Já participei em todos os órgãos estatutários do SCRT. Fui durante alguns mandatos, presidente-adjunto, vice-presidente e membro quer da mesa da assembleia geral, quer do Conselho fiscal. De facto o grau de exigência é elevado. Só com forte espirito de missão é que se pode vencer as múltiplas adversidades que se colocam diariamente. Ser dirigente do SCRT, para mim foi um motivo de muito orgulho. Sinto que recebi muito mais do que dei. Recebi experiência de vida, amizades, algumas para a vida e a emoção e o privilégio de poder servir o Clube do coração e dessa forma contribuir para o desenvolvimento da nossa Cidade.

Fiz parte de direções em que tudo era artesanal. Não existiam computadores no Clube, nem a tecnologia hoje existente. Daí que pense que todas as direções foram importantes para o crescimento Clube, cada uma á sua maneira e com as ferramentas possíveis. Queria realçar a direção do Presidente Nelson na perspetiva da reformulação da parte administrativa/contabilística, com o trabalho notável do tesoureiro da altura o Toni Silva. O Presidente Jorge Madureira teve a inteligência suficiente para se rodear de uma excelente equipa de dirigentes que executaram, sob a sua coordenação, um trabalho notável. Para mim foi a melhor direção dos últimos anos dando um grande salto qualitativo com a consolidação das contas do Clube e simultaneamente criando as estruturas exemplares que por certo marcarão pela positiva os tempos futuros do nosso Clube. A atual direção do Presidente Jorge Pina foi eleita há muito pouco tempo, mas já dá para ver que vai fazer um grande mandato. Desde já, soube construir uma excelente equipa de futebol sénior. Tem um tipo de gestão com a qual me identifico. Ou seja, se queremos que os sócios e adeptos venham com mais regularidade ao nosso Estádio, só através de uma equipa de futebol sénior forte e ganhadora. Só desta forma assumindo riscos de forma a que o investimento possa ser reprodutivo. Por outro lado não posso deixar de referir a jovem equipa dirigente encarregue da comunicação do Clube, com um trabalho notável, ao nível do que melhor se faz neste sector, pedindo meças a muitos departamentos de comunicação quer dos Clubes profissionais, quer ainda ao nível de grandes empresas.

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Acha que os associados, de uma forma geral, participam ativamente na vida do Clube?
Infelizmente os sócios ainda participam pouco na vida do Clube. Basta ver a presença diminuta nas reuniões da A.G, com exceção nas eleitorais e, só quando existe mais que uma lista.
Os sócios estão mais interessados nos jogos. Alguns, poucos, ainda têm o hábito de assobiarem a equipa quando ela precisa de apoio. A vontade que a equipa ganhe e frustração da possível derrota pode explicar tal comportamento que tende a desaparecer.

Sendo a cidade/freguesia de Rio Tinto, uma das mais densamente povoadas do país, acha que o SC Rio Tinto tem “margem de manobra” para crescer?
Sim, penso existir um grande potencial de crescimento. Não só por sermos de zona densamente habitada, mas também pelo grande historial do SCRT que foi passando dos mais velhos, de tal forma que em muitos dos nossos conterrâneos existe, ainda que no subconsciente, uma ligação emotiva, até de pertença a este Clube mesmo sem serem associados. Digo isto, porque assisti, alguns anos a uma jornada de amor Clubístico que nunca mais poderei esquecer. Estava o SCRT em risco de descer de divisão -dos Nacionais para os distritais- foi jogar a Santo Tirso, com o Tirsense. Era a última jornada e uma derrota sentenciava a descida de divisão. Quando a equipa subiu ao relvado foi a surpresa e o espanto totais. Nas bancadas do Tirsense estavam milhares de adeptos do SCRT, a puxar pela equipa. Este apoio massivo de adeptos foi espontâneo. Não existiu organização de autocarros. Este apoio traduziu-se numa vitória da nossa equipa por 3-2 e por consequência a manutenção na 3ª divisão nacional. Os milhares de Riotintenses (sócios e não sócios) sentiram que o Clube da sua terra, precisava deles e, não hesitaram em deslocarem-se para de forma apaixonada, apoiarem o Clube do seu coração.

O que considera que pode ser feito para trazer mais associados para o Clube?
Campanhas de sensibilização. Talvez distribuir (vender) bilhetes para os jogos em casa a preços baixos pelo comércio local, cafés, restaurantes, etc… de forma a que estes os distribuam gratuitamente pelos seus clientes. Poderá ser uma forma de encher o estádio e criar por esta via um hábito nestes potenciais sócios.

Foi tornado público, recentemente, que a freguesia de São Cosme (Gondomar SC) vai ter o 2º relvado sintético. Considera, esta decisão da Câmara Municipal de Gondomar, racional, tendo em conta que a cidade/freguesia de Rio Tinto não tem nenhum?
Não tinha conhecimento. A ser assim e, sem conhecer os argumentos, parece uma decisão pouco racional e equilibrada. No SCRT já estamos habituados a este tipo de desconsiderações. Em tempos passados e, apesar das vigorosas reivindicações, fomos sempre prejudicados pelo poder instituído. O que temos que fazer é reivindicar tratamento igualitário e proporcional. Tirando o apoio que deve existir para a formação, penso que temos é que tentar ser autossuficientes. Gerir de forma a que as receitas possam ser superiores ás despesas. Se assim for, somos senhores do nosso destino sem termos a necessidade lidar com injustiças e ter que ouvir bajulações em tempo de eleições.

Qual a sua opinião acerca do relacionamento institucional entre o SC Rio Tinto e as entidades públicas que gerem o concelho de Gondomar (Junta de Freguesia de Rio Tinto e Câmara Municipal de Gondomar)?
Não tenho dados que me permitam dar uma opinião avalizado. Contudo, penso, é desejável, que seja um relacionamento cordial, institucional e de ajuda mútua. Cada qual com as suas funções mas com o claro intuito que é o engrandecimento da nossa Terra.

Temos nesta data 250 atletas no ativo. Considera que o Clube dá as melhores condições de trabalho a todos estes atletas?
Penso que os diretores, e o staff das camadas jovens desenvolvem um trabalho exemplar. Muito difícil, mas empenhado. As condições são as que temos para já. É evidente que seria muito bom centralizar todos os atletas e demais secções no Estádio com a finalização dos campos de treino. Seria bom para todos e existiria um ganho de escala muito significativo.

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Considera que o SC Rio Tinto, tem condições para disputar/suportar uma equipa sénior numa divisão Nacional?
Claro que acho que tem condições para disputar um campeonato nacional. Penso e desejo. Já disputamos a 3ª divisão nacional, numa altura muito difícil em termos logísticos. Tivemos durante alguns anos uma equipa “profissional” a treinar diariamente e a jogar fora de nossa casa, no Estádio de Valbom.

O que é, para si, ser adepto do SC Rio Tinto?
É uma paixão. Orgulho e vaidade. Os meus amigos de fora de Rio Tinto, ficam espantados pela forma vibrante como eu falo sempre do melhor clube do mundo, O SC de Rio Tinto.

Por último, pedimos que vista por uns minutos o “fato de um vendedor” da marca “Sport Clube de Rio Tinto”. O que faria/diria para convencer um qualquer seguidor do Clube a tornar-se associado de pleno direito
Associação fiável, respeitadora de compromissos e com lideranças e equipas diretivas de grande gabarito.

Ao nosso associado, Acácio Roque, deixamos aqui o nosso agradecimento por nos ter concedido esta entrevista, desejando que mantenha a filiação ao Clube, e dentro das suas possibilidades, a sua preciosa colaboração com a Instituição.

Por nós, foi um prazer tê-lo cá, a “família” Riotintense está viva e recomenda-se.

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