Jogo Extra – Fernando Oliveira

Entrevistámos no passado sábado (2015-01-03) o responsável máximo pela formação de competição do Clube, sobejamente conhecido pela massa associativa do Sport Clube de Rio Tinto, de seu nome Fernando Oliveira, que está ligado profissionalmente à equipa sénior do FC Porto, e que nos deixou o seguinte registo:

 

Bilhete de Identidade:
Nome: Fernando Pereira Oliveira
Associado nº: 368
Data Nascimento: 17-08-1956
Naturalidade: Massarelos
Nacionalidade: Portuguesa

Quem é o Fernando Oliveira?
O Fernando Oliveira é um elemento que está no clube a coordenar a formação com uma boa equipa, numa função que me dá um grande gozo em trabalhar. Eu trabalho com os meus colegas de direção, cada um com os seus pelouros, mas uma grande equipa. Posso dizer mais, eu serei a pessoa que aqui dentro trabalha menos, pois os meus colegas de facto têm uma grande entrega ao Sport Clube de Rio Tinto.

Assumimos este papel neste ano, apesar de ter feito parte da anterior direção, na função de secretário da Assembleia Geral e tenho um grande gosto em estar cá. Como sabem, trabalho no FC Porto e tento trazer para cá o que aquele clube tem para o Sport Clube de Rio Tinto.

Eu adoro trabalhar com jovens, não parecendo e eu não gosto muito de falar sobre quem sou, já fui treinador dos infantis do Desportivo de Massarelos, já fui treinador de basquetebol e fui campeão nacional de Juvenis e Juniores no FC Porto.

Em suma, gosto muito de estar envolvido no processo de formação de pessoas e atletas.

 

Quando aceitou o convite para dirigir a formação do Clube fê-lo de forma imediata, ou, pelo contrário, teve que refletir?
Com esta pergunta já vou ser um bocado polémico! É assim, deu-me um enorme gosto vir para cá porque acho que o ano passado não foi assim tão bom como é o Sport Clube de Rio Tinto. Quem estava a conduzir determinadas situações não a fez da melhor forma. Quem se mete nisto tem de gostar e de ser sério no trabalho que efetua, senão não vale a pena estarmos aqui, pois para estarmos aqui tiramos horas às nossas famílias. Posto isto, aceitei o convite de forma imediata.

 

Variadíssimas pessoas, de vários quadrantes do Clube, têm feito uma referência positiva ao trabalho desta Direcção, de que faz parte. Considera que a actual equipa de dirigentes do Clube pode levar o Clube a atingir patamares mais altos?
Sim, podem! O que nós temos de criar é estruturas adequadas ao nosso clube, temos de ser capazes e estar com os pés bem assentes, e como vocês sabem, nos dias de hoje o dinheiro está caro, antigamente era de borla. Não temos ninguém que nos ajude como antigamente nos ajudavam, temos que bater às portas e deparamo-nos com várias dificuldades e temos de saber aquilo que queremos.
Temos uma equipa de trabalho que trabalha bem e que está a fazer aquilo que pode para que o Sport Clube de Rio Tinto cresça.

 

O que considera mais importante na formação de um atleta?
O mais importante, e a primeira coisa que temos de fazer é tirar os jovens da rua, para não provocarem coisas negativas às suas famílias, é uma das coisas que eu defendo, porque eu tenho filhos e nós na nossa sociedade temos a mania que só acontece aos outros.

O atleta da formação tem de ser uma pessoa amparada, que sinta o apoio necessário das pessoas que estão ligadas ao clube para crescer no nível educativo e desportivo.

Posso dizer, que o Sport Clube de Rio Tinto está a fazer um bom trabalho educativo para os atletas, e cada vez mais vai melhorar.

 

O capitão da equipa de Juniores, Bruno “Ferrari”, foi um dos nossos entrevistados e elogiou bastante o trabalho dos actuais dirigentes do Clube! Este espírito é para manter?
Posso falar pela minha equipa: Esta equipa que aqui está, está forte. A nossa linguagem perante as pessoas é a mesma! O Ferrari disse isso, mas se vocês entrevistarem outros atletas eles vão dizer o mesmo, isso tenho a certeza. Nós estamos com eles nas coisas boas mas também nas más. Tentaremos evoluir ainda mais, para criar um Sport Clube de Rio Tinto diferente.

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Sente algum apoio por parte da AF Porto, no auxílio à formação dos jovens atletas?
A AF Porto poderia colaborar muito mais com os clubes que fazem um bom trabalho na formação de atletas, não é com “clubes de café” mas sim com clubes que o merecem. A AF Porto em vez de ter as pessoas em reuniões ou lá dentro sem se saber o que fazem, deviam de vir para o terreno ver o que é precisam os clubes, não é só os clubes que têm de dar dinheiro à AF Porto. A AF Porto deveria ter outro tipo de abertura para os clubes, que infelizmente não tem.

 

É muito vulgar, actualmente, ouvir-se dizer que os Clubes Portugueses têm que fazer apostas sérias na sua formação! O SC Rio Tinto está atento a esta necessidade?
Sim, está. Claro que gostava de ter mais Ivos (Ivo Rodrigues, jogador do FC Porto) e Ronaldos, mas não temos. O Sport Clube de Rio Tinto está a trabalhar para criar cada vez mais essa situação, que é o futuro do clube.

 

Pode indicar-nos o que tem sido feito, de concreto, para integrar os jovens atletas juniores no plantel sénior?
Tem-se feito alguma coisa nesse aspecto. Muito abertamente vou-vos dizer, gostava que os Juniores fossem mais vezes aos Seniores, assim como os Juvenis aos Juniores e assim sucessivamente, faz parte do processo de evolução dos atletas.

Mas um grande problema, e já tivemos esse problema este ano, que é os pais não quererem que os filhos subam de escalão, o que para mim é um erro. Ainda aqui há dias, num escalão de formação tive de lhes mostrar as vantagens de subirem de escalão, que é o conhecimento de outras pessoas, os colegas têm outra idade e a competição é outra. Este ano, temos um caso no futebol nacional, que é o Ruben Neves, que no ano passado era Juvenil, tem 17 anos, está na equipa sénior e ainda não saiu de lá. Os atletas assim ganham mais maturidade, quer pessoal quer desportiva.

 

O SC Rio Tinto tem algum critério de contratação de treinadores, para a formação?
Gostaríamos muito de ter o Villas Boas, mas não podemos (risos). Como temos poucos recursos monetários, temos de recorrer aquilo que conseguimos. Mas na formação do Sport Clube de Rio Tinto temos treinadores com qualidade!

 

Qual a maior dificuldade que encontra no seu dia-a-dia, enquanto dirigente da formação?
O maior problema é o dia-a-dia, todos os dias acontece qualquer coisa, ou é água, ou é uma lâmpada, etc.

 

Os pais (Encarregados de educação) dos nossos atletas, são uma “peça” importante na estrutura da formação?
Muito! Nós no ano passado tínhamos 67 atletas na formação, hoje temos 161, na academia tínhamos 32, neste momento temos 64 atletas, uma pequena diferença de números! E com isto, quero dizer, que são os pais que trazem para aqui os seus filhos! Digo ainda mais, houve alguns atletas que saíram para outros clubes e estão a voltar, o que demonstra que os pais e os atletas se sentem bem aqui.

Podemos ter um campo pelado, mas sabemos tratar bem quem está connosco. Um dia, não sei quando, haveremos de ter um campo sintético, um dia, pois só me acredito quando vir as máquinas a avançarem, mas, se me perguntassem, eu queria o sintético no Campo da Ferraria.

Eu tenho que defender o meu produto, por isso tenho que defender os pais, tenho que falar com eles, com isto não tenho que concordar sempre com eles, porque não concordo, mas temos de os tratar bem, que é o que temos vindo a fazer.

Os pais são uma peça fundamental na formação dos homens e dos atletas.

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A que objectivos se propôs no início desta temporada desportiva?
Para mim o mais importante é que os atletas sejam educados dentro do campo, o mais importante não é ganhar, mas todos nós gostamos de ganhar e incentivamos para isso!

Ainda aqui à dias, um dos escalões de formação do Sport Clube de Rio Tinto foi a um torneio a Valongo e estava lá um colega meu do FC Porto, ele confidenciou-me que os miúdos têm um comportamento dentro do campo excelente, e é o que se passa em todos os escalões, com isto não quero dizer, que de vez em quando não possa acontecer uma situação menos positiva, mas são miúdos e estamos cá também para os educar.

 

Recentemente, as infraestruturas da formação, foram selvaticamente atacadas! Esta barbárie serviu para unir ou pelo contrário, desanimou-vos?
Eu agradeço muito à pessoa que fez isto, porque se ele pensou que fazia uma coisa destas para nós desistirmos, para nos desunirmos, pode ficar ciente que nos uniu! Já estávamos unidos, mas isto serviu para fortalecer ainda mais a nossa equipa.

Se essa pessoa vir esta entrevista, estamos-lhe grato.

Posso acrescentar ainda, que dois elementos do nosso grupo, nesse mesmo dia, ajeitaram as portas que ele estragou. Se ele estava à espera de encontrar dinheiro, então o que ele fez não foi para nada, podia era ter aberto uma gaveta e deixar lá algum (risos).

 

Por último, e porque estamos no início do ano 2015, gostaríamos que deixasse uma palavra dirigida aos associados, amigos e simpatizantes do SC Rio Tinto!
Desejo tudo de bom para os nossos associados, simpatizantes e amigos, mas não só, quem não nos conhece, que venha cá para nos conhecer, estamos cá para isso.

Para os nossos associados e simpatizantes, ajudem o clube naquilo que puderem. A mim não me custa pedir para ajudar o Sport Clube de Rio Tinto, não tenho vergonha. Tudo o que nos puderem dar e ajudar, uma opinião que seja, nós estamos abertos para vos receber.
Ao nosso Diretor, Fernando Oliveira, deixamos aqui o nosso agradecimento por nos ter concedido esta entrevista, desejando-lhe, extensível a toda a sua equipa de trabalho, votos de que o ano de 2015, seja um ano de sucessos, não só desportivos, mas também pessoais. Aproveitamos também para lhe agradecer, mais uma vez, extensível a todos os elementos da sua equipa de trabalho, toda a dedicação e disponibilidade, com que diariamente gerem os destinos dos nossos atletas mais jovens e o bom nome do “nosso” Clube.

 

Um bem haja a todos e
Força Sport Clube de Rio Tinto!

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